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Nature destaca imagens científicas mais impressionantes de maio


A renomada revista Nature divulgou sua seleção mensal das imagens mais impactantes da ciência, referentes a maio de 2026. A galeria reúne registros que vão do espaço profundo a experimentos de bioluminescência, passando por descobertas de novas espécies e fenômenos terrestres impressionantes.

Para celebrar seus 36 anos, o telescópio espacial Hubble revisitou a Nebulosa Trífida, um berçário estelar a 5 mil anos-luz de distância. A nova imagem, comparada à primeira de 1997, revela mudanças imperceptíveis em escalas humanas, mas visíveis ao longo de décadas.

A comparação mostra a expansão de um jato de plasma ejetado periodicamente por uma estrela ainda em formação, visível no canto superior esquerdo da nuvem. Esse tipo de observação demonstra que mesmo objetos de tamanho astronômico evoluem em poucas décadas.

Outra cena espetacular foi registrada na Nova Zelândia, onde um campo de tremoços floridos parece emoldurar a Via Láctea em uma perspectiva olho-de-peixe. A fotografia, de Alvin Wu, foi uma das 25 selecionadas no concurso Milky Way Photographer of the Year, criado na Espanha.

Os engenheiros do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, na Califórnia, testam hélices que giram a 240 metros por segundo em uma câmara que recria a atmosfera rarefeita de Marte. O helicóptero Ingenuity, primeiro a voar em outro corpo celeste, não conseguia transportar carga útil além de sensores.

Após o sucesso do Ingenuity, a equipe agora projeta helicópteros com capacidade para levar instrumentos mais pesados, voar por períodos maiores e até auxiliar futuros astronautas. As imagens do teste impressionam pela precisão técnica e pela ambição da exploração planetária.

Uma série de formas geométricas impregnadas com dinoflagelados bioluminescentes brilha na escuridão total, após serem estimuladas quimicamente. Os bioengenheiros da Universidade do Colorado Boulder conseguiram fazer com que a Pyrocystis lunula emitisse luz contínua, em vez dos lampejos naturais.

A técnica abre caminho para aplicações em dispositivos sem bateria e robôs submarinos que poderiam sinalizar ou iluminar usando organismos vivos. O controle da bioluminescência representa um avanço na fronteira entre biologia e engenharia.

A última leva de passageiros do cruzeiro MV Hondius desembarcou em Tenerife, na Espanha, em 11 de maio, encerrando uma viagem que resultou em três mortes por hantavírus. Pelo menos oito outros viajantes foram infectados, e muitos sobreviventes ainda estavam em isolamento após o desembarque.

O hantavírus é um patógeno raro e de incubação longa, que pode levar até 40 dias para apresentar sintomas, conforme pesquisas. O episódio reacendeu alertas sobre doenças emergentes em ambientes de confinamento.

Um iceberg gigantesco encalhou nas proximidades de Pouch Cove, na costa leste do Canadá, proporcionando um espetáculo para moradores e turistas. O fenômeno é típico da primavera, quando o aumento das temperaturas no Ártico desprende blocos das geleiras da Groenlândia, que são carregados pela correnteza até a avenida dos icebergs.

A região da Terra Nova se transforma em atração turística sazonal, com avistamentos frequentes dessas montanhas de gelo flutuante. A imagem capturada pela Reuters destaca a imponência do bloco contra a paisagem costeira.

Biólogos descobriram uma nova espécie de cubozoário, a água-viva-caixa, na Ilha de Sentosa, em Singapura. Batizada de Chironex blakangmati — em referência ao antigo nome da ilha, Ilha da Morte Atrás —, ela se assemelha à altamente venenosa Chironex yamaguchii.

Diferenças anatômicas e genéticas, no entanto, confirmam que se trata de uma espécie distinta. O achado, publicado no Raffles Bulletin of Zoology, alerta para a presença de animais tão perigosos em áreas de grande visitação.

O estuário do Rio Betsiboka, em Madagascar, exibiu uma coloração vermelho-sangue intensa, resultado do sedimento rico em ferro carregado pelas chuvas. A imagem de Kai Yokoyama ilustra décadas de desmatamento que expuseram o solo à erosão e assorearam os canais costeiros.

O fenômeno, embora visualmente impactante, é um sinal de degradação ambiental severa na ilha africana. A floresta tropical e os manguezais que antes protegiam as margens foram em grande parte derrubados pela exploração madeireira.

A coletânea da Nature reúne, assim, um mosaico de descobertas, tragédias e belezas naturais. As imagens estão disponíveis para apreciação no site da publicação.